quarta-feira, 28 de julho de 2010

As mulheres do deserto

A vida das mulheres do deserto é dura.


Trabalham sob o sol impiedoso,


andam muitas e muitas léguas para buscar água no poço duas vezes ao dia,


cuidam dos filhos, dos afazeres domésticos e tecem seus véus.


Geralmente, elas não tem grandes expectativas. Exceto uma;


o regresso de seus homens.






As mulheres do deserto são felizes. A vida delas é a eterna espera.


Invocam deuses e deusas pela volta de seus amados,


mas para elas a alegria é a mesma, tanto no retorno quanto na espera.






As mulheres do deserto aprendem desde cedo a serem pacientes.


Entendem que no deserto não existe tempo. Horas, dias, anos...tanto faz.


Sabem que o deserto é caprichoso, mas sábio. E cedo ou tarde trará os homens de volta.


E esses homens, certamente, voltarão de cada jornada mais carinhosos que da ultima vez.






Por que essas mulheres sabem que deserto transforma um menino em homem,


mas o retorno para os braços delas, faz de homens feitos apenas meninos.






Infeliz daquela mulher do deserto que não tem ninguém para ansiar pela volta.


Que não tem nenhum homem que sonhe com ela em uma noite fria.


Amaldiçoadas mulheres que não tem razão alguma para viver.


Estas vêem com tristeza suas companheiras


que sonham acordadas e suspiram apaixonadas todos os dias.






Eu não sou uma mulher do deserto. Eu peno com a distancia.


Eu sofro com tempo.


Este maldito e inconstante tempo,


que teima em ser infinito na ausência e meteórico na presença.










Eu tenho inveja das mulheres do deserto.

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